domingo 1 de noviembre de 2009
miércoles 14 de octubre de 2009
EL MATE, COSTUMBRE URUGUAYA
Serie documental uruguaya en DVD que abarca buena parte de los grandes temas que conforman la identidad nacional (el mate, el fútbol, el candombe, la semana de turismo, el tango, el asado, San Cono y la quiniela, la feria de Tristán Narvaja). Ver más en www.hachaytiza.com/mediotanque
viernes 9 de octubre de 2009
LENGUAJE DEL MATE
Matear
"Matear", es decir, tomar mate en rondas de mate, es toda una ceremonia con un específico lenguaje del mate, aunque —como en todo lenguaje— pueden darse variaciones según el contexto y la región.
Aunque en Argentina y Uruguay es común la frase "un mate no se le niega a nadie", se verá que tal expresión no es absoluta.
Ensillar el mate
Ensillar el mate es el acto de sacarle un poco de yerba (no toda) y agregarle un poco más. Con esto se logra que el mate mantenga el sabor un poco más de tiempo (si es que uno no quiere volver a prepararlo completo).
Mate del sonso
El mate inicial que se entrega primeramente a una persona en una ronda de mate es llamado mate del sonso (zonzo = tonto) ya que se considera a tal mate como demasiado fuerte y aún sin el gusto o "bouquet" apropiado, generalmente lo toma el cebador mismo, o se lo descarta.
Dar gracias
En Paraguay, Uruguay y Argentina, además de en el sur de Chile, decir "gracias" en el momento de devolver el mate al cebador, quiere decir que ya no seguirá tomando.
Puentear
Es grave ofensa que en una ronda de mate el cebador (y especialmente la cebadora, ya que en las "mateadas" si hay una mujer, se le suele dejar el honor de ser la distribuidora de la infusión) omita o "puentee" a alguien, tal persona omitida o "ninguneada" o "puenteada" o "castigada una vuelta" en el lenguaje del mate es considerada como totalmente despreciada. (En gran parte del campo argentino y uruguayo, se acostumbra a que cebe el mate el propietario del mismo, y no necesariamente la mujer. Se considera ofensivo cebar mates ajenos sin permiso).
Un gesto de rechazo hacia alguien puede ser ofrecer ostensiblemente el mate con la bombilla apuntando "hacia atrás" (en dirección opuesta a quien va a recibir ese mate) para esto existe la expresión gauchesca: «con bombilla hacia atrás pa' que no volvás».
Mate largo
Se llama "mate largo", "alargar el mate" o "dormir el mate" cuando alguien retiene por un tiempo relativamente prolongado el mate antes de entregarlo a la persona a la cual le corresponde el turno, es una señal de desdén hacia tal persona. Otro uso que se le da a esta frase es para indicar que el mate tiene poca yerba y mucha agua. En Paraguay suele hacerse la broma de decir "Largá el mate que no es micrófono" para indicarle a uno que ya retuvo el mate en manos por un buen tiempo, y que se apresure en terminarlo para seguir la ronda. En ese caso se dice en Argentina: ¿Le estás enseñando a hablar?
Mate caliente
Antiguamente, si la mujer ofrecía a alguien un mate caliente —aunque no hirviente— o dulce solía entenderse que esa mujer estaba demostrando amor. Otras formas de expresar el deseo ha sido o es (en algunas zonas se mantiene vigente) el endulzar el mate (en momentos o situaciones en que se bebe amargo), o añadirle ingredientes como el toronjil.
El del estribo
Es el último mate que se le ceba a una persona antes de irse del lugar en donde está la ronda. Del estribo por aquello de subirse al caballo: era el último, antes de subirse al caballo e irse.
Quedarse rengo
Comúnmente existe la expresión 'quedar rengo' cuando una persona ha bebido un sólo mate, y antes de marchar, desea y pide tomar un mate más para no 'quedar rengo', es decir, un mate para cada pierna.
(Fuente: Wikipedia)
sábado 27 de junio de 2009
Outra canha pa' um viejo
Pra o consolo de uma pena!
Que com a ponta da adaga
Una mechita de pelo
Cortó rente al cuero
Hace mucho una güaina.
Desarrollando un bagual
Lá pra ao lado da canhada
havia uma lagoa empastada
Entre seibos e sauzal.
Pois era ainda moço
Quando deu-me o regalo
Que ainda trago entrelaçado
Nas rédeas do bocal.
- Pulpero outra canha!
De bolcar pros costado
Pois a güaina que falo
Me desvia o olhar.
Nem parece aquela
Qual guardei tantos besos
E me jurava com resos
Um amor imortal.
E por culpa da dor
Até o zaino da encilha
Que era florão da tropilha
Deu mancarrón ao enfrenar.
Desculpe a insistência
Deste viejo torena
Mas pulpero outra canha
Pra o consolo de uma pena.
miércoles 24 de junio de 2009
Chimarrão do Estrivo

Amargo que a gente chupa,
Já de poncho na garupa
Para a tropeada do mundo,
Algum mistério profundo
Te revirou do avesso,
Porque és doce no começo
E tão amargo no fundo!
Quantas vezes te chupei
Junto ao cavalo encilhado,
Tendo a china no costado
Tristonha na despedida,
Sem pensar - velha bebida! -
Que ao te golpear sem rebuços,
Ia bebendo os soluços
Daquela prenda querida!
Velho mate carinhoso,
Encilhado de erva mansa,
Quando uma China te alcança,
Olhando quieta pra gente,
Deve pensar, certamente,
Que depois de um beijo longo,
O adeus é como o porongo
Que fica frio de repente!
Mil vezes te amanunciei,
No pingo meio oitavado,
Entre um pedido, um recado,
De uma mana ou de uma prenda...
Pois sempre alguém recomenda
Quando a gente é meio novo
Que não se meta em retovo
Junto aos gaudérios de venda!
E depois quando parti-me
Do Pago, campeando a sorte,
Eu te chupei, mate forte,
Bem junto do parapeito,
E fui saindo, sem jeito,
Dando rédeas ao gateado,
Mas te guardarei bem cevado
No porongo de meu peito!
Decerto é por isso mesmo
Que quando evoco a Querência
Eu te sinto, com violência,
Nas veias em atropelo,
E até me ouriça o cabelo.
Pois do meu ser primitivo,
Aquele mate do estrivo
Foi o último sinuelo!
E ao bom Deus que é rio-grandense
Sempre peço, enquanto vivo,
Um chimarrão para o estrivo
Quando chegar o meu fim.
E se Ele quiser assim,
Vá destacando uma china
Que lá na Estância Divina
Prepare o mate pra mim!
Poema de Jayme Caetano Braun,
Foto de Eduardo Amorim.
martes 23 de junio de 2009
Chimarrão [2]

Amargo doce que eu sorvo
Num beijo em lábios de prata.
Tens o perfume da mata
Molhada pelo sereno.
E a cuia, seio moreno,
Que passa de mão em mão
Traduz, no meu chimarrão,
Em sua simplicidade,
A velha hospitalidade
Da gente do meu rincão.
Trazes à minha lembrança,
Neste teu sabor selvagem,
A mística beberagem,
Do feiticeiro charrua,
E o perfil da lança nua,
Encravada na coxilha,
Apontando firme a trilha,
Por onde rolou a história,
Empoeirada de glórias,
De tradição farroupilha.
Em teus últimos arrancos,
Ao ronco do teu findar,
Ouço um potro a corcovear,
Na imensidão deste pampa,
E em minha mente se estampa,
Reboando nos confins ,
A voz febril dos clarins,
Repinicando: "Avançar"!
E então eu fico a pensar,
Apertando o lábio, assim,
Que o amargo está no fim,
E a seiva forte que eu sinto,
É o sangue de trinta e cinco,
Que volta verde pra mim.
Poema de Glaucus Saraiva.
lunes 22 de junio de 2009
Chimarrão
Velho porongo crioulo,
Te conheci no galpão,
Trazendo meu chimarrão
Com cheirinho de fumaça,
Bebida amarga da raça
Que adoça o meu coração.
Bomba de prata cravada,
Junto ao açude do pago,
Quanta china ou índio vago
Da água seu pensamento
De alegria, sofrimento,
De desengano ou afago.
Te vejo na lata de erva
Toda coberta de poeira,
Na mão da china faceira
Ou derredor do fogão,
Debruçado num tição
Ou recostado à chaleira.
Me acotovelo no joelho,
Me sento sobre o garrão
Ao pé do fogo de chão,
Vou repassando a memória
E não encontro na história
Quem te inventou, chimarrão.
Foi índio de pêlo duro,
Quando pisou neste pago,
Louco pra tomar um trago,
Trazia seca a garganta,
Provando a folha da planta,
Foi quem te fez mate-amargo.
Já foi bebida selvagem
E hoje és tradição,
E só tu, meu chimarrão,
Que o gaúcho não despreza
Porque és o livro de reza
Que rezo junto ao fogão.
Embora frio ou lavado,
Ou que teu topete desande,
Minha alegria se espande
Ao ver-te assim meu troféu,
Quem te inventou foi pra o céu
E te deixou para o Rio Grande.
Poesia de João da Cunha Vargas
Foto de Edelweiss Bassis
viernes 19 de junio de 2009
Meus Mates
Fiz um mate mais comprido
porque sei que ela não vem;
foi daqui a um par de dias,
deixou a casa vazia
e o meu coração também.
Vou gastando os maus momentos
nesses mates demorados;
sem porque, sem um aviso
foi levando o meu sorriso,
os avios, o meu passado.
E eram tantos mates curtos
cevados nas nossas mãos;
seu adeus amarga a vida,
os versos, o chimarrão.
verdes olhos, verdes mates
de quem foi pra não voltar;
flor gaúcha que colhi,
era tão lindo isso aqui.
como vou viver sem par?
Adílson Moura
jueves 18 de junio de 2009
Roda de Chimarrão
Esquentei a água no fogareiro do boitatá
tô cevando um mate com erva boa da barbaquá.
E vâmo charlando e contando causos que "já lá vão",
é o sabor do pampa, de boca em boca, de mão em mão.
Acendi uma vela, que é pro negrinho nos ajudar,
a encontrar as estórias, porque a memória pode falhar.
E sabedoria é fechar o amargo e viver em paz,
mate e cara alegre, porque o resto a gente faz.
Puxa um banco e senta que tá na hora do chimarrão,
é o sabor do pampa de boca em boca, de mão em mão.
Puxa um banco e senta vem cá pra roda de chimarrão,
vem aquece a goela e de inhapa a alma e o coração.
(...)
(Kleiton e Kledir Ramil)
miércoles 17 de junio de 2009
ZAMA NO QUERÍA MATE.

"En la tarde siguiente estaba en el salón con una compleja tarea de bordado. Empleaba fragmentos de seda de diferentes colores. Por esto y a causa de que el género excedía en mucho el tamaño del bastidor, exigiendo que alguien lo sostuviese para que no anduviera por el suelo, junto a Luciana encontré a una mestiza.
No importaba su presencia razón suficiente para quitarme ánimos, salvo que sospeché una estudiada estrategia, cuando pasando un rato, otra criada empezó a traer mate con periódica puntualidad.
En la quinta o sexta vuelta de mate me declaré satisfecho, por alejar siquiera una de las vigilantes; pero muy pronto regresó con una jarrita de licor que sirvió en copas diminutas.Como el contenido de cada copita era escaso, lo vacié muy pronto, por tres veces, hasta percibir que eso daba motivos a la criada para ser presentada sin ser llamada a servirme de nuevo.Dejé intacta la última porción y, de tal modo, en algunas inspecciones más,tuvo que persuadirse que no precisaba más de sus servicios".
"ZAMA"
Antonio Di Benedetto
argentino (1922-1976)
sábado 30 de mayo de 2009
jueves 28 de mayo de 2009
martes 26 de mayo de 2009
domingo 24 de mayo de 2009
DOMINGO SIN MATE
Elegía extra
Hoy
un domingo
como cualquier otro
uno de esos
que Dios ha reservado
para el mate
la radio despacito
para el amor
repetido en los parques
para el descanso
el vino
y el Estadio
para la dulce farra
de la siesta
precisamente hoy
un domingo cualquiera
debo abrir puertas
de silencio horrible
debo juntarme
con mi aburrimiento
debo enfrentar mi mesa
empecinada
asquerosa de tinta
y de papeles.
El sol allí cerquita
sucio domingo
pienso
yo a veces di consejos
claros como setiembre
yo me hice mala sangre
hasta la madrugada
¿y ahora qué?
ahora
espesos y rituales
Gardel y un alboroto
bajan del sexto piso
el sol va recorriendo
tranquilamente
el muro
y yo como un intruso
yo como una pieza
dislocada
yo frente al miedo
de la Ciudad Vieja
más allá del fervor
y el pesimismo
porque a mis dedos
ya
nadie los mueve
y quedan más planillas
más planillas
más inmundas planillas
todas
con siete copias.
Mario Benedetti
Poemas de la oficina (1953-1956)
http://www.literatura.us/benedetti/oficina.html
“Por aquella época aparecen también los Poemas de la oficina y recuerdo una página entera de Marcha en que Rodríguez Monegal adelantó una sección. Fue un impacto para Montevideo, nada acostumbrado a esa poesía accesible y conversacional, y no obstante rigurosa. Un hecho inédito se dará: con Benedetti resultaba fácil leer poesía en los ómnibus. “Es una lástima que no estés conmigo/ cuando miro el reloj y son las seis/ Podrías acercarte de sorpresa/ y decirme “¿Qué tal?” y quedaríamos/ yo con la mancha roja de tus labios/ tú con el tizne azul de mi carbónico”. ¡Oh, no es sublime! (ni trata de serlo). Pero rompe con naturalidad y encanto discreto la capa de albayalde que almidona tanta prestigiosa poesía de amor. Consecuencia inmediata: la tendera de Caubarrère y el estudiante de Academias Pitman se sintieron incluidos en el texto, no como de costumbre excluidos. Esa poesía cotidiana los ponía en el lugar que antes poblaban corzas y gacelas. (...) Mario consigue que la poesía ingrese en el comercio de los hombres. (...) La voz horizontal de Mario nos expresaba a todos, sin avillanarse ni regalarnos nada. Diciéndonos lo que todos sentíamos pero... nadie había dicho.
Hugo Alfaro
http://www.ucm.es/info/especulo/numero29/benedett.html
Imagen:
http://es.noticias.yahoo.com/fotos/diapositivas/fotos-mario-benedetti.html
martes 19 de mayo de 2009
UNOS MATES EN LA TREGUA
Domingo 17 de marzo.
...Volví a casa, dormí la siesta y me levanté pesado.Tomé unos mates y me fastidió que estuviera amargo.Entonces me vestí y fui de nuevo al Centro. Esta vez me metí en un café, conseguí una mesa frente a la ventana. En un lapso de una hora y cuarto pasaron exactamente treinta y cinco mujeres de interés. Para entretenerme hice una estadística sobre qué me gustaba en ellas. Lo anoté en una servilleta de papel. De dos me gustó la cara; de cuatro el pelo; de seis el el busto; de ocho las piernas; de quince el trasero. Amplia victoria de los traseros.
Mario Benedetti
La Tregua
Foto: Benedetti,una vida en imágenes
http://www.elpais.com/fotogaleria/Benedetti/vida/imagenes/6476-1/
miércoles 13 de mayo de 2009
GÜIRALDES SEGÚN BORGES
Transcribo aquellas palabras de Borges, quien me dijo: «Fue muy raro el destino de Güiraldes. Recuerdo que había escrito un verso en broma, imitando a Lugones…Y luego publicó “Don Segundo Sombra” y recibió el espaldarazo de Lugones. Pero a él no le gustaba su libro. Decía: “Es una criollada y yo estoy harto de criollos”».
Cuando le pregunté por qué no le gustaba, Borges me respondió: «El decía: “este libro ha tenido mucho éxito porque habla de gauchos, pero yo estoy harto de gauchos y voy a hacer libros muy distintos”. Y entre ellos publicó una novela muy mala que se llamaba “Xaimaca”, y que todo el mundo trató de leer. El creyó que era su libro. Pero después vino la consagración con “Don Segundo Sombra” y esa canonización de Lugones y enseguida se fue a París y allá murió».
Proseguía Borges: «Una vez le pregunté a Güiraldes por qué había usado en el libro las palabras gaucho y pampa, que en el campo no se usan nunca. Y él me dijo que usó esas palabras porque escribía para porteños, no para peones». Y de inmediato, Borges recordó una frase, célebre, de Groussac, quien dijo que Güiraldes tenía que estirarse el poncho para que no le vieran la levita, y agregó: «En esa época nadie usaba levita. Yo creo que eso tiene que ser una broma hecha contra Hernández, que reeditó Groussac. De lo contrario es anacrónico que en el año 1926 se hable de levita. De modo que yo pienso que es una broma vieja, que Groussac aplicó a Güiraldes. Porque él dijo: “Es un libro cimarrón, escrito por un hombre de sociedad, pero tiene que estirar el poncho para que no le vean la levita”».
Por cierto, “Don Segundo Sombra” legó a la memoria de los hombres un ayer en disolución. Y Ricardo Güiraldes, poeta, novelista y cuentista, nacido en Buenos Aires en 1886 y fallecido en 1927, sigue vivo no tanto por la incorporación de las técnicas de la vanguardia europea a su universo poético y narrativo, sino por la decantación lograda en este libro que escribió durante años. Es un clásico del criollismo, donde el lector, al abrirlo, recupera aquel gaucho manso, sus andanzas y melancolías.
Ricardo Güiraldes según Borges
http://revista.libertaddigital.com/ricardo-giraldes-segun-borges-749.html
jueves 16 de abril de 2009
TRES AMARGOS PARA DESPERTAR
Horacio me despertó bruscamente sacudiéndome por los hombros.
Mi primer pensamiento fue para el día anterior: mi huida, el éxito de mi treta para preceder a Don Segundo en la estancia de Galván, la recepción de Goyo y la presentación que hizo de mí a la peonada como mensual nuevo, el incidente de la mesa.
Alboreaba, y ya por la pequeña ventana vi rociarse de tintes dorados las nubes del naciente, largas y finas como pétalos de mirasol.
Bajé los pies del catre, me levanté con esfuerzo sobre las piernas blandas como queso, ajusté mi faja, me rasqué los ojos, cuyos párpados sentía más pesados que si los hubieran picado los mangangás, y me encaminé arrastrando las alpargatas hacia la cocina. Tenía frío y el cuerpo cortado de cansancio.
En torno al fogón, casi apagado, concluía de matear la peonada, y ligué tres amargos que me despertaron un tanto.
-Vamos -dijo uno, y como si no hubiese esperado sino aquella voz, nos desparramamos desde la puerta hacia rumbos diferentes.
La primera mirada del sol me encontró barriendo los chiqueros de las ovejas con una gran hoja de palma. No era muy honroso, en verdad, eso de hacer correr las cascarrias por sobre los ladrillos y juntar algunos flecos de lana sarnosa; sin embargo, estaba tan contento como la mañanita. Hacía mi trabajo con esmero, diciéndome que por él era como los hombres mayores. El fresco apuraba mis movimientos. En el cielo deslucíanse los colores volteados por la luz del día.
A las ocho me llamaron para el almuerzo, y mientras a diente despedazaba un trozo de churrasco, espié a mis compañeros, de quienes todo quería adivinar en los rostros.
El domador Valerio Lares, era un tape forzudo, callado y risueño; hubiera deseado hacerme amigo suyo, pero no quería ser entrometido. Además, nadie hablaba, porque el escaso tiempo de que disponíamos quería ser aprovechado por cada uno en forma más útil.
Concluido el almuerzo el cocinero me dijo que quedara a ayudarlo, y fueron saliendo todos hasta dejar vacío el gran aposento, cuyo significado parecía resumirse en el fogón, bajo cuya campana tomó lugar la olla, rodeada de pavas como un ñandú por sus charabones.
El cocinero no fue más locuaz que el día de mi llegada, y me pasé la mañana haciendo de pinche, los ojos constantemente atraídos por la silenciosa silueta del domador, que, vecino a la puerta cosía unas riendas de cuero crudo.
Debía ser ya cerca del mediodía, cuando oímos unas espuelas rascar los ladrillos de afuera. La voz de Valerio saludó a alguien, invitándolo a que pasara a tomar unos mates. Curiosamente me asomé, viendo al mismo Don Segundo Sombra.
Don Segundo Sombra-Cap IV (fragmento)
Ricardo Güiraldes (1886-1927).
Foto: Don Segundo Ramírez (inspirador de la novela )
http://www.sanantoniodeareco.com/turismo/historia/historia/don_segundo_sombra-ricardo_guiraldes/index.htm
lunes 9 de marzo de 2009
RAMILONGA
Chove na tarde fria de Porto AlegreTrago sozinho o verde do chimarrãoOlho o cotidiano, sei que vou emboraNunca mais, nunca mais Chega em ondas a música da cidadeTambém eu me tranformo numa cançãoAres de milonga vão e me carregamPor aí, por aí Ramilonga, Ramilonga Sobrevôo os telhados da Bela Vista Na Chácara das Pedras vou me perderNoites no Rio Branco, tardes no Bom FimNunca mais, nunca mais O trânsito em transe intenso antecipa a noiteRiscando estrelas no bronze do temporalAres de milonga vão e me carregamPor aí, por aí Ramilonga, Ramilonga O tango dos guarda-chuvas na Praça XVConfere elegância ao passo da multidãoTriste lambe-lambe, aquém e além do tempoNunca mais, nunca mais Do alto da torre a água do rio é limpaGuaíba deserto, barcos que não estãoAres de milonga vão e me carregamPor aí, por aí Ramilonga, Ramilonga Ruas molhadas, ruas da flor lilásRuas de um anarquista noturnoRuas do Armando, Ruas do QuintanaNunca mais, nunca mais Do alto da bronze eu vou pra cidade baixaDepois as estradas, praias e morrosAres de milonga vão e me carregamPor aí, por aí Ramilonga, Ramilonga Vaga visão, viajo e antevejo a invejaDe quem descobrir a forma com que me fuiAres de milonga sobre Porto AlegreNada mais, nada mais. EL MATE EN LA MILONGA I
En la noche de fin de año de 1986 en TV3, Serrat interpreta "Amablemente", con letra de Iván Díez y música de Edmundo Rivero.
"La encontró en el bulín y en otros brazos...
Sin embargo, canchero y sin cabrearse,
le dijo al gavilán: "Puede rajarse;
el hombre no es culpable en estos casos."
Y al encontrarse solo con la mina,
pidió las zapatillas y ya listo,
le dijo cual si nada hubiera visto:
"Cebame un par de mates, Catalina."
La mina, jaboneada, le hizo caso
y el varón, saboreándose un buen faso,
la siguió chamuyando de pavadas...
Y luego, besuqueándole la frente,
con gran tranquilidad, amablemente,
le fajó treinta y cuatro puñaladas.
La versión de Edmundo Rivero:
martes 3 de marzo de 2009
LA ORTOPEDIA DE LOS POBRES
CONTRATAPA:
Para el poder médico del Novecientos toda la cultura popular era una monstruosidad higiénica: rancho y conventillo, sólo caldos de cultivos de la tuberculosis, tomar mate en común y concurrir “a la taberna”, fuentes de sífilis y alcoholismo; creer en los remedios caseros y en las hierbas medicinales, superstición. Se trató de convencer a los pobres de que su estilo de vida era un error científico, una deformidad que debía enderezarse mediante la ortopedia espiritual.
El cuerpo de los pobres fue objeto de aquel poder médico. Curado en los hospitales, se aprendía y experimentaba sobre él en la clínica; perseguido como el foco de todos los contagios que amenazaban al conjunto social, era apresado en la cárcel del Sifilicomio, donde se conducía a las prostitutas enfermas bajo custodia policial.
Este libro se propone revelar el orden mental y social establecido donde se cree está sólo la ciencia, tarea que puede ser saludable.
domingo 1 de marzo de 2009
EL MATE PROHIBIDO
El uso en comunidad del mate-costumbre popular si las había-fue perseguido y se buscó legislar sobre el punto, tanto que se le consideró propagador de la la tuberculosis y la sífilis. En mayo de 1909, en una reunión que celebró
Ante ello el radical Mateo Legnani revivió a su manera estas ideas en un proyecto de ley en 1922 sobre el mate. Por él se declara obligatorio el uso de la infusión de yerba mate entre el personal militar y policial, el reemplazo del “café te y mates usados actualmente, se prohibía absolutamente el uso del mate en toda la población ( por mate en este caso se entendía la yerba , la calabaza o recipiente y la succión por la bombilla) y se castigaba con una multa de diez a cien pesos o prisión equivalente a toda persona que cebe, toma u ofrezca mate”
El propósito no era entrometerse en la intimidad del hogar-donde se suponía se seguiría tomando mate con bombilla-sino justamente reducir a ese lugar su bebida: el mate será saboreado a solas, a escondidas, ya que el mate que perseguirá sin tregua el estado(…)es el mate público, el de las reuniones, el de las carreras de caballos, el de los fogones, el de las pulperías, el de los velorios, el de las visitas, el de los prostíbulos”, el que constituía vehículo de todas clases de “infecciones”.
José Pedro Barrán
Medicina y sociedad en Uruguay del novecientos
Tomo 2- La ortopedia de los pobres
Capítulo 4-El disciplinamiento sanitario-moral de los pobres
imagen: Esquina sureste de las calles Sarandí y Juan Carlos Gómez hacia fines del siglo XIX
lunes 23 de febrero de 2009
NO TOMAR MATE CON NADIE...
El higienismo del Novecientos conducía a una privatización absoluta de la vida, hecho que lo colocaba en las antípodas de la cálida y afectuosa plebeya sociabilidad popular, hecha de contactos, ademanes afectuosos, encuentros hechos norma, parloteo de cercanías y no de respetuosas distancias, uso de objetos y consumo de alimentos y bebidas en común, una sociabilidad del compartir más que del poseer personal.
En 1916, los médicos de la revista “
Al año siguiente, en 1917, hicieron estas recomendaciones a los adultos “predispuestos” a la tuberculosis: “Vivir retirado de las grandes aglomeraciones de personas y de la vida en comunidad (…) No tomar mate con nadie, no besar a ninguno en la boca ni dejarse besar”.Y la siguiente para los tuberculosos: “tener dormitorio propio y estar solo, si es gente pobre tener su cama propia y dormir solo”
Gestos, hábitos, costumbres, todo debía estar signado por su individualización. Se puede pensar que el aislamiento se recomendaba solo a los tuberculosos. Es un error. El aislamiento era la salvaguardia de todos, siempre y en cualquier circunstancia, para el tuberculoso era además una obligación moral.
......Solo la vida “lo más personal posible” protegía la salud y alimentaba la curación. En 1914, el médico Ernesto Ricci consideró que la mejoría de los tuberculosos que se retiraban a nuestra campaña se debía a que vivían en una quinta con sol, (se alimentaban bien), cuidaban de la vida en común y la hacían lo más personal posible, no tomaban mate con el vecino…no vivían apiñados como sucede en los ranchos.
La contagiofobia higienista, el ideal burgués y la urbanización tendían al unísono a hacer la vida lo más personal posible. Las viejas solidaridades cargadas de afecto corporal debían sustituirse por las nuevas, puramente ideológicas. Ayudar al otro si era enfermo y pobre, sí, acercarse físicamente, a él, no.
José Pedro Barrán
Medicina y sociedad en Uruguay del Novecientos
-2-La ortopedia de los pobres.
Capítulo 5. La condenación médico- iluminista de la cultura popular”
Imágenes:.
lunes 9 de febrero de 2009
EL CIMARRÓN DE LA MOROCHA
Yo soy la morocha,
la más agraciada,
la más renombrada
de esta población.
Soy la que al paisano
muy de madrugada
brinda un cimarrón.
Yo, con dulce acento,
junto a mi ranchito,
canto un estilito
con tierna pasión,
mientras que mi dueño
sale al trotecito
en su redomón.
Soy la morocha argentina,
la que no siente pesares
y alegre pasa la vida
con sus cantares.
Soy la gentil compañera
del noble gaucho porteño,
la que conserva el cariño
para su dueño.
Yo soy la morocha
de mirar ardiente,
la que en su alma siente
el fuego de amor.
Soy la que al criollito
más noble y valiente
ama con ardor.
En mi amado rancho,
bajo la enramada,
en noche plateada,
con dulce emoción,
le canto al pampero,
a mi patria amada
y a mi fiel amor.
Soy la morocha argentina,
la que no siente pesares
y alegre pasa la vida
con sus cantares.
Soy la gentil compañera
del noble gaucho porteño,
la que conserva el cariño
para su dueño.
"La morocha"
Tango 1905
Música:Enrique Saborido
Letra: Ángel Villoldo
http://www.todotango.com/spanish/las_obras/letra.aspx?idletra=417
ENTRE TANGO Y MATE
Madame Ivonne
Música: Eduardo Pereyra
Letra: Enrique Cadícamo
Mamuasel Ivonne era una pebeta
que en el barrio posta de viejo Montmartre,
con su pinta brava de alegre griseta
animó la fiesta de Les Quatre Arts.
Era la papusa del barrio latino
que supo a los puntos del verso inspirar...
Pero fue que un día llego un argentino
y a la francesita la hizo suspirar.
Madame Ivonne,
Madame Ivonne,
fue como el signo de tu suerte...
Alondra gris,
tu dolor me conmueve,
tu pena es de nieve...
Madame Ivonne...
Han pasado diez años que zarpó de Francia,
Mamuasel Ivonne hoy solo es Madam...
La que va a ver que todo quedó en la distancia
con ojos muy tristes bebe su champán.
Ya no es la papusa del Barrio Latino,
ya no es la mistonga florcita de lis,
ya nada le queda... Ni aquel argentino
que entre tango y mate la alzó de París
http://tango.hagaselamusica.com/letras-de-tango/m/1/madame-ivonne/
sábado 7 de febrero de 2009
EL MATE EN EL TANGO

Percanta que me amuraste
en lo mejor de mi vida,
dejándome el alma herida
y esplín en el corazón,
sabiendo que te quería,
que vos eras mi alegría
y mi sueño abrasador,
para mí ya no hay consuelo
y por eso me encurdelo
pa´olvidarme de tu amor
Cuando voy a mi cotorro
y lo veo desarreglado,
todo triste, abandonado,
me dan ganas de llorar;
me detengo largo rato
campaneando tu retrato
pa´poderme consolar.
Ya no hay en el bulín
aquellos lindos frasquitos,
adornados con moñitos
todos del mismo color.
El espejo está empañado
y parece que ha llorado
por la ausencia de tu amor.
De noche, cuando me acuesto,
no puedo cerrar la puerta,
porque dejándola abierta
me hago la ilusión que volvés.
Siempre llevo bizcochitos
pa´tomar con matecitos
como si estuvieras vos,
y si vieras la catrera
cómo se pone cabrera
cuando no nos ve a los dos.
La guitarra en el ropero
todavía está colgada,
nadie en ella canta nada
ni hace sus cuerdas vibrar.
Y la lámpara del cuarto
también tu ausencia ha sentido
porque su luz no ha querido
mi noche triste alumbrar.
miércoles 4 de febrero de 2009
RUBEN LENA Y EL MATE
“El mate es material en cuanto a objeto, y todo lo relativo a el. El mate es social, en cuanto es costumbre de un pueblo. El mate es espiritual por cuanto su forma de tomarlo habla de un ensimismamiento que es natural en el medio campesino, o de comunión en los medios más poblados”
Ruben Lena
Ruben Lena nació en Treinta y Tres el 5 de abril de 1925. Cursó estudios en el Liceo Local y también en Montevideo. Trabajó como maestro en Sierras del Yerbal, muy cerca de la Quebrada de los Cuervos. Luego en Arrayanes de Corrales del Cebollatí y luego en Isla Patrulla.
En 1959 fue becado por la O.E.A. a Venezuela, donde participó con 74 becarios de 16 países de Latinoamérica.
En 1961 se le ocurre hacer un cancionero para la escuela donde ejercía el cargo de Maestro Director, donde surgieron entre otros "Esto del Sauce" y "A Don José".
Falleció en Montevideo el 28 de octubre de 1995, y su cuerpo fue trasladado a Treinta y Tres.
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/muniz_lucio/ruben_lena.htm
http://memorias.todouy.com/memmasinfo43.htm
martes 27 de enero de 2009
POR PRUDENCIO CORREA
Yo no lo vi, pero lo sentí clarito
¿y quién no oyó el temblor
de la descarga que le partió
la frente aquella tarde clara
Y de aquellas soledades
sabía Prudencio Correa,
por las horas de silencio
vividas en la frontera.
Una vez que estuvo preso
por cuestiones de pelea
le quitaron hasta el mate
por ser Prudencio Correa,
y dijo cuando salió:
"Ni a las malas ni a las buenas,
preso no me han de llevar"
dijo Prudencio Correa.
Tiempo después lo citaron
pero no hubo manera,
Prudencio Correa era hombre
de palabra donde quiera,
y aunque era gurí me acuerdo
de aquella tarde serena
cuando un bando de fusiles
fue por Prudencio Correa.
No se lo vio recular ni andar
buscando trinchera,
por cumplir con la palabra
murió Prudencio Correa,
con el brazo arremangado
murió Prudencio Correa,
con el dedo en el gatillo
murió Prudencio Correa.
Prudencio Correa hombre
de palabra, donde quiera.
Y de aquellas soledades
sabía Prudencio Correa.
Ruben Lena
“Muchas de sus canciones, no todas, integran hoy este libro, Las cuerdas añadidas (Las cuerdas añadidas por Rubén Lena edición de la Banda Oriental, Diciembre de 1980, 56 páginas. Distribuye EBO). Son precedidas por breves historias, encuadres sobre el origen de cada canción realizadas por el propio autor con algo de timidez o recato, quién no ha querido agregar a la canción, más de lo que la canción es, como dice en el prólogo: Cada canción debe sostenerse en sí misma (ahora y siempre) y no sobre explicaciones previas o comentarios anticipados (ayuditas en fin, didácticamente válidas, pero de patas cortas) aunque ahora no se trata de eso sino de ir a posteriori a visitar el anecdotario personal... Y con el mayor de los respetos nosotros le agregamos, qué lástima que Rubito le haya hecho una "visita de doctor", tan cortita, y no una de aquellas largas visitas de campaña que solían durar semanas; porque material en su anecdotario sabemos que tiene de sobra y al riqueza de sus personajes daría para un largo desarrollo.
Están allí la canciones que nos hablan de personajes profundos y trágicos como Prudencio Correa, Joaquín, Martín Aquino, El Botellero, Juan (el flaco que es albañil), El Carao Peralta, etc.
No sabemos si es por haber conocido situaciones y personajes que vemos en "por Prudencio Correa" y "Adiós amargo al Carao Peralta", los poemas más profundos con historias de trágico dramatismo es a "por Prudencio Correa", canción a la que dedica el comentario más breve de todo el libro, tal vez por lo que anotáramos antes de que "la canción debe sostenerse a sí misma" Prudencio Correa es un tema imponente, no solo en dramatismo sino en lo que atañe a profunda convicción humana y conlleva a la vez sesgos de pintoresquismo.
En esta historia, Lena nos impacta con versos electrizantes que son lanzados como la detonación misma a que hace referencia.
"Yo no vi pero sentí clarito
y ¿quién no oyó el temblor de la descarga
que le partió la frente
aquella tarde clara?"
Escrito por Luis Neira sábado, 23 de mayo de 1981
www.rubenlena.com.uy
jueves 22 de enero de 2009
LA ARISCONA
y es de Sierras del Yerbal
Me la contaron las grotas
y las piedras de afilar;
el rumor del romerillo
y el viento en el carobal
y la mirada ariscona
del animal montaraz.
Me parece que la oigo
en un rosillo pasar,
el jinete va chiflando
y es el indio Baladán.
Campos de la Salamanca
caminos del Batoví!
ahí sí la tierra está sola
al salir a lo´el Ruyín.
Y en el Cerro Colorado
la chifla el viento al pasar
y la liebre de ojo abierto
la escucha d´entre el chilcal.
En las piedras los lagartos
se ponen a cavilar
sobre el tiempo y el silencio
del modo más natural.
En el yeito de la gente
y en el modo de "prosiar",
en el mate que se brinda
no se la oye pero está.
Y allá en lo de Alpirio Núñez
bien cerquita ´e lo Lilí
con acordeón y guitarra
en un baile amanecí.
Y sucedió una mañana
que mi palomo ensillé
y me la traje conmigo
y no la fui a devolver...
y me la traje conmigo
y no la fui a devolver...
Ruben Lena
Ruben Lena , al terminar Magisterio, en 1949, tuvo su primer destino en la escuela Nº 44 de Sierras del Yerbal, muy cerca de la Quebrada de los Cuervos. "Ahí empecé a intimar con el otro Uruguay, el que tan pocos conocen. No era una zona extremadamente pobre, casi todos los vecinos tenían sus pequeños trabajos, pero el desconocimiento por ciertos temas impresionaba, sobre todo a mí, que recién recibido me enfrentaba a ese mundo por primera vez. Lo que también agobiaba era el aislamiento. La única forma de salir de allí era a caballo, pero como los caminos eran altos, de sierra, al menos no sufríamos los barriales. De cualquier forma, llegar a Treinta y Tres nos llevaba sus buenas horas, porque no existía ningún medio de locomoción mecánico. Tampoco había radios, porque carecíamos de energía eléctrica, de manera que ni siquiera sabíamos qué pasaba en el resto del mundo. En las oportunidades que viajábamos al pueblo, no más de una vez al mes, teníamos que ponernos al día en todo. Incluso visitando el bajo, porque para curas no habíamos nacido (...)". En los dos años que pasó en esa escuela, pudo conocer mejor a la que hasta ese momento consideraba "una amante inoportuna": "Aprendí a disfrutar de la soledad, conviviendo con ella, conversando con ella, teniéndola por amiga y confidente. En la soledad uno se encuentra a sí mismo, reflexiona sobre cosas que antes le pasaban al lado y no las veía, comienza a preguntarse los porqué de tanta injusticia, de tanta marginación, de tantos destinos miserables que pasan inexorablemente de padres a hijos". En la letra de "La ariscona", años después, pintaría aquel paisaje y a algunos de sus habitantes: "Esta milonga es milonga/ y es de Sierras del Yerbal/ me la contaron las grotas/ y las piedras de afilar;/ el rumor de romerillo/ y el viento en el carobal/ y la mirada ariscona/ del animal montaraz./ Me parece que la oigo/ en un rosillo pasar,/ el jinete va chiflando/ y es el Indio Baladán (...)".
Biografía Oficial de Rubén Lena. Por Guillermo Pellegrino
www.rubenlena.com.uy
martes 20 de enero de 2009
CREADOR DE " O ANALISTA DE BAGÉ"
Luis Fernando Veríssimo nació en Porto Alegre, Río Grande do Sul, en 1936.
Veríssimo es el hijo del escritor brasileño Erico Veríssimo y vivió con su padre en los Estados Unidos durante su niñez
Veríssimo dice que probó muchas cosas antes de escribir. En una lectura para los estudiantes de periodismo dijo que "a la edad de 31 y dándome cuenta de que no había trabajado en nada, decidí probar como escritor, luego de una invitación del Jornal Zero Hora (de Porto Alegre)".Muchos de sus trabajos tienen un tono humorístico. A lo largo de sus relatos cortos, por ejemplo el Analista de Bagé, Ed Mort, y A Velhinha de Taubaté son los más exitosos. Veríssimo escribe además para programas cómicos de televisión.
Veríssimo es un gran admirador del jazz y toca el saxofón en una banda llamada Jazz 6.
Veríssimo es un crítico del ala derecha de políticos, especialmente del ex-presidente, Fernando Henrique Cardozo
Veríssimo se casó con Lúcia Helena Massa en 1964, y tienen tres hijos: Fernanda, periodista; Mariana, escritora y Pedro, músico. Vive con su esposa en Porto Alegre.
- A Grande Mulher Nua
- Amor brasileiro
- Aquele Estranho Dia que Nunca Chega
- A Mãe de Freud
- A Mesa Voadora
- A Mulher do Silva
- As Cobras em Se Deus existe que eu seja atingido por um raio”
- As Aventuras da Família Brasil, Parte II
- Novas Comédias da Vida Privada
- Peças Íntimas
- Separatismo; Corta Essa!
- Sexo na Cabeça
- Todas as comédias
- Zoeira
- A eterna privação do zagueiro absoluto
- Comédias para se ler na escola
- As mentiras que os homens contam
- Histórias brasileiras de verão
- Aquele estranho dia que nunca chega
- Banquete com os Deuses
A velhinha de Taubaté A versão dos afogados – Novas comédias da vida pública
- Comédias da Vida Privada
- Comédias da Vida Pública
- Quadrinhos
- O Marido do Dr. Pompeu
- O Popular
- O Rei do Rock
- Orgias
- O Suicida e o Computado
- Outras do Analista de Bagé
O seqüestro o zagueiro central
- Com a Mão no Milhão
- Outras Histórias
- Procurando o Silva
- Disneyworld Blues
- Borges e os Orangotangos Eternos
- Gula - O Clube dos Anjos
- O Jardim do Diabo
- O opositor
· Poesia numa hora dessas?!
link: wikipedia
martes 13 de enero de 2009
O ANALISTA DE BAGÉ
jueves 8 de enero de 2009
Outra do Analista
- Quem gosta de aglomeramento é mosca em bicheira...
Mas acabou concordando.
- Se abanquem, se abanquem no más. Mas que parelha buenacha, tchê.
Qual é o causo?
- Bem - disse o home - é que nós tivemos um desentendimento...
- Mas tu também é um bagual. Tu não sabe que em mulher e cavalo novo não se mete a espora?
- Eu não meti a espora. Não é, meu bem?
- Não fala comigo!
- Mas essa aí tá mais nervosa que gato em dia de faxina.
- Ela tem um problema de carência afetiva...
- Eu não sou de muita frescura. Lá de onde eu venho, carência afetiva é falta de homem.
- Nós estamos justamente atravessando uma crise de relacionamento porque ela tem procurado experiências extra-conjugais e...
- Epa. Opa. Quer dizer que a negra velha é que nem luva de maquinista? Tão folgada que qualquer um bota a mão?
- Nós somos pessoas modernas. Ela está tentando encontrar o verdadeiro eu, entende?
- Ela tá procurando o verdadeiro tu nos outros?
- O verdadeiro eu, não. O verdadeiro eu dela.
- Mais isto tá ficando mais enrolado que lingüiça de venda. Te deita no pelego.
- Eu?
- Ela. Tu espera na salinha.
lunes 29 de diciembre de 2008
JUCECA
Julio César Castro, también conocido como Juceca (Montevideo-1928- 2003) fue un humorista narrador actor y dramaturgo uruguayo. Comenzó su labor humorística en 1959 libretando programas radiales para actores de la Comedia Nacional montevideana. En 1962 crearía el personaje Don Verídico con el cual editaría varios libros de cuentos, de usualmente no más de dos páginas cada uno, de un humor muy particular. Éstos cuentos fueron publicados usualmente en revistas y periódicos uruguayos y argentinos tales como el semanario Marcha, la revista Misia Dura, la revista literaria argentina Crisis, dirigida por Eduardo Galeano y la uruguaya Guambia.
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Luis Landriscina, humorista argentino, no sólo le puso voz al personaje de Don Verídico, sino también rostro, ya que lo llevó tanto a la radio como a la televisión.
"Me pasaron un libro de Don Verídico. Lo leí y me gustó mucho su humor. Entonces tratamos de ponernos en contacto con él. Pero Juceca en ese momento se había ido probar suerte en Buenos Aires. Teníamos los papeles cambiados. Así que tuve encontrarlo allá”
"El recién se había instalado, y yo lo fui a ver a su apartamento. La verdad es que tenía todo pelado, sólo tenía un cajón donde había puesto la máquina de escribir y nada más. Entonces, como intuí que la estaba pasando mal, le dije que a mí me gustaría hacerle un adelanto del contrato. Y él me dijo ‘ah bueno, eso se lo agradecería mucho’. Era un tipo de una gran dignidad", recuerda el argentino.
"Yo siempre digo que es un escritor hecho libretista, porque el esencialmente era un escritor, además con una voz propia. Si él hubiera nacido en Francia sería considerado un surrealista”
"Más allá del humor, si se sabe leer entre líneas, todos los personajes de Juceca tenían un profundo sentido de la solidaridad","Esas son cosas que le agregan mucho a su humor y el que las percibe las disfruta y bueno y el que no las percibe, bueno, se quedará solamente con el humor. Pero incluso el respeto que tenía para sus personajes como con La Duvija, esa mujer que tomaba vino en el boliche El Resorte, que nunca la presentaba borracha y a la que nunca ningún hombre le faltó el respeto. Son cosas importantes, que a mi me gustaba mucho de él”
Fragmentos de una entrevista a Landriscina - El Pais Digital - 28 de octubre de 2003
Video : escena de “Viaje hacia el mar”
En el campo cinematográfico Julio César Castro fue partícipe del largometraje "El viaje al Mar" de Guillermo Casanova, basado en el cuento homónimo de Juan José Morosoli Allí Juceca cumplió la doble función de co-guionista y actor en el personaje Siete y Tres Diez.
O Analista de Bagé

Pues, diz que o divã no consultório do analista de Bagé é forrado com um pelego. Ele recebe os pacientes de bombacha e pé no chão.
— Buenas. Vá entrando e se abanque, índio velho.
— O senhor quer que eu deite logo no divã?
— Bom, se o amigo quiser dançar uma marca, antes, esteja a gosto. Mas eu prefiro ver o vivente estendido e charlando que nem china da fronteira, pra não perder tempo nem dinheiro.
— Certo, certo. Eu...
— Aceita um mate?
— Um quê? Ah, não. Obrigado.
— Pos desembucha.
— Antes, eu queria saber. O senhor é freudiano?
— Sou e sustento. Mais ortodoxo que reclame de xarope.
— Certo. Bem. Acho que o meu problema é com a minha mãe
— Outro.
— Outro?
— Complexo de Édipo. Dá mais que pereba em moleque.
— E o senhor acha...
— Eu acho uma pôca vergonha.
— Mas...
— Vai te metê na zona e deixa a velha em paz, tchê!
Luis Fernando Verissimo.
domingo 28 de diciembre de 2008
LA BOMBILLA


- Hombre que supo ser asunto serio pa estrañar, aura que dice, el Perfidio Bobeto.
De mañana, un suponer, ya se pasaba las horas mal, porque estrañaba el catre.
De noche no se dormía porque estrañaba no estar parau.
A la mujer la estrañaba cada vuelta que la veía, y si no la veía la andaba estrañando una tremendidá. En una oportunidá, bandeando un arroyo crecido, porque si no lo bandeaba estrañaba, fue y va y se pierde mate y bombilla que siempre llevaba en el bolsillo de la bombacha, porque si no lo llevaba estrañaba.
Cuando llegó a las casas y lo vió la mujer y le priegunta... al verlo triste fue que le prieguntó la mujer:
- Se podrá saber - le dijo - que es lo que anda estrañando mi gaucho ?
Perfidio Bobeto la miró, y de mientras que se escurría el pañuelo sin sacarselo de cogote, pa no estrañarlo, le dijo que la correntada le habóa llevado mate y bombilla y que diba a ir hasta el boliche El Resorte pa ver de comprar. Cayó al boliche con la mujer, los perros, tres gatos, los chanchos y una lechera que tenía: overa la lechera, linda vaca.
Tomando unos vinitos estaban los de siempre: Nitrato Sorna, Calibre Mata y Domitilo Nones.
Al verlo, va el tape Olmedo y le pregunta a Perfidio Bobeto:
- anda por vender los animalitos, don Perfidio ?
- No señor - dijo Perfidio - es que si los dejo en las casas los estraño una barbaridá y no me hallo.
Más bien - dijo - estoy intencionau de comprar mate y bombilla, porque me los llevó la correntada.- Eso le pasa por cebar con mucha agua.
- No sea pavo, quiere ?
- En el boliche no había mate pa la venta, y Perfidio Bobeto quedó tristón, sentado en una bolsa de maiz, mirándose la mano, estrañando no tener el mate puesto.
La rueda quedó en silencio y lo único que se escuchaba era el vino gorgoteando al pasar pr los gargueros.
La gente cavilaba en buscarle un arreglo al problema de Perfidio. Todos preocupados.
Todos menos
Le puso una mano en el hombro al Perfidio y le dijo:
- si uste me aguanta un momento que termine este litrito e' vino, yo me voy en un galope hasta mi rancho y via tener el gusto de rigalarle mate y bombilla.
Un lujo de mate y no se aflija.
El pardo salió, montó, galopió, y volvió, con mate y bombilla en una bolsita.Pa festejar destaparon una damajuana, y dentraron a matiar con vino.
La bombilla era un poco mas fina que la que Perfidio había sabido tener y perdido en el arroyo.
La estrañaba. Acostumbrado a tener que abrir más la boca pa chupar, la fina le bailaba.
Pa que se la tragara en una chupada, se la ataron con una piola a la pata de una mesa.
Julio César Castro
http://www.mundomatero.com
Imagen: contratapa del libro "Más cuentos de Don Verídico"
-Julio César Castro
1982-Ediciones Neográficas.S.A.
jueves 18 de diciembre de 2008
MATE VERÍDICO

Climático Vitrolo supo ser confianzudo hasta demás.
Un hombre, Climático, que usté un suponer lo invitaba a tomar asiento y él se le acostaba en el catre y pedía que le armaran el cigarro porque al estar horizontal -decía-,le caía el polvillo del tabaco en los ojos.
- Pa evitarle el polvillo al tabaco, lo mejor es la hoja de la morera en el paquete.
- Un hombre Climático, tan confianzudo, que si usté un suponer lo invitaba con un mate, él tomaba y se guardaba la bombilla en el bolsillo del chaleco.
Después le asomaba como si fuera una birome.
- Si la usa con los agujeritos para arriba, la bombilla le luce como micrófono y es la envidia en donde caiga.
- Un hombre, Climático, que si usté un suponer le presentaba a su señora mujer, esposa propia y documentada, él se la pedía prestada por un par de días con la palabra de honor de devolver en perfectas condiciones, y puesta en la puerta de su casa sin cargo.
Hasta que se casó con Peripecia Vistita, y a ella se le antojó tener ropero porque Climático carecía. Había sido siempre hombre de colgar en clavo, en la paré, y lo más parecido a ropero que había tenido era fiambrera de tejido fino para colgar a ventilar las alpargatas y evitar la mosca.
Como no era hombre de ropero, climático fue hasta el boliche El Resorte y allí después de aburrir con algunos comentarios sobre política, acaparó la atención
con la cuestión del ropero.¿Carece?, le preguntaron, y el hombre, avergonzado, pero con tono de disculpa dijo:-“Me dejé estar”
Fue
Per
- Un hombre sin ropero, es como una discordancia sin fundamento.
Hubo un silencio que por lo largo fue como dos silencios.
Al rostro de Climático se le apreció un aumento en el color de la vergüenza. Era la primera vez que le apreciaban algo, y en el fondo le gustó.
La cosa fue que después de destapar una damajuana de tinto se resolvió salir a buscar ropero, y fueron catorce en un carro y entraron a un rancho, sin golpear manos ni nada, y cargaron ropero y le llevaron ropero a Climático para que conformara el capricho de su mujer, que para eso están los amigos y los boliches, dijo alguien en un rincón.
Para la medianoche se lo pusieron en la pieza a la mujer dormida, y se volvieron a festejar al Resorte, y cuando Climático regresó, con el sol bajo pero allí, entró al rancho y vio salir a un vecino del ropero.
Hubo que hacer mucho trámite, para convencer a Climático de que el vecino ya venía desde antes en el bendito ropero. Entre mate y prosa, el otro arregló para mantenerles el jardín y la huertita por el tabaco y la yerba. Resultó buena gente el hombre.
"Por el tabaco y la yerba"-
Cuentos de Don Verídico
Julio César Castro (Juceca)
lunes 15 de diciembre de 2008
EL LENGUAJE DEL MATE
Mate lavado
Es el mate agotado, desabrido, insípido, con la yerba gastada y que ya no hace espuma. En Entre Ríos también se le suele llamar "ojo de buey", "ojo de Ñandú", o "lágrima". Significa cansancio del cebador, con relación al tomador que nunca se acuerda de dar las "gracias". Por eso cuando el mate comienza a lavarse el matero debe darse cuenta de que el cebador se está cansando, y dar las "gracias". Pero si el primer mate que se da a quien acaba de llegar está lavado significa aversión o enemistad; y son típicos del mate lavado los palitos que flotan en la boca del mate, de ahí la copla de Edmundo Montagne:
Como a náufrago de amor
me los cebás lavaditos...
¡Juro que no me has de ver
agarrao a los palitos!
Esta copla salteña se refiere al mate chulla, como llaman al mate lavado:
Cuando el pobre llega a tiempo
y los mates van cruzando,
dan al pobre un mate chulla,
con los palitos nadando.
Y en Buenos Aires:
Como nunca lo tomé,
no sé si será verdá;
dicen qu'el mate lavao
representa enemistá.
http://ar.geocities.com/jucazam/fogon/mate/lenguaje/lavado.html
RAFAEL AMOR

“El señor que habla con inocultable acento porteño hace 25 años que vive en España, en donde desarrolló pacientemente su carrera musical recorriendo pueblo por pueblo la geografía hispana y editando, casi siempre de propio esfuerzo, 12 discos. Ha regresado un par de veces y se ha tenido que ir también. Así y todo no se da por vencido ni mucho menos. Rafael Amor habla con pasión de su vida y de su ideología, sin prejuicios. Se proclama marxista, cantante político y militante revolucionario. "No tengo vergüenza en decir que soy un cantante político que recorre el mundo con un mensaje", subraya. Con esta postura recorrió el continente americano también. Será por eso, y por otras tantas cosas enumeradas en la entrevista con Página/12, que su canción más famosa en todo el continente americano y en España se llama "No me llames extranjero", una especie de himno para el emigrante. En estos días el motivo de su vuelta es el lanzamiento de un nuevo disco, el primero que graba en Argentina desde 1972, titulado Batemusas, que será presentado esta noche en la sala Jorge Luis Borges de
(Por Esteban Pintos)
Fragmento de una entrevista a Rafael Amor publicada en Página /12 el 18 de abril de 1998
En el disco “Batemusas” está la canción “El mate lavao”
http://www.pagina12.com.ar/1998/98-04/98-04-18/pag27.htm
jueves 11 de diciembre de 2008
sábado 6 de diciembre de 2008
EL MATE DE LAS CINCO Y MEDIA
Tan convencional todo, tan dicho que Lucas de puro pudor busca otras salidas, a la mitad del recuerdo decide acordarse de cómo a esa hora se encerraba a leer a Homero y Dickson Carr en su cuartito para no escuchar de nuevo la operación de apéndice de la tía Pepa con todos los detalles luctuosos y la representación en vivo de las horribles náuseas de la anestesia, o la historia de la hipoteca de la calle Bulnes en la que el tío Alejandro de iba hundiendo de mate en mate hasta la apoteosis de los suspiros colectivos y todo va de mal en peor, Josefina, aquí hace falta un gobierno fuerte, carajo. Por suerte Flora ahí para mostrar la foto de Clark Gable en el rotograbado de La Prensa y rememurmurar los momentos estelares de Lo que el viento se llevó.A veces la abuela se acordaba de Francesca Bertini y el tío Alejandro de Bárbara La Marr que era la mar de bárbara, vos y la vampiresas, ah los hombres, Lucas comprende que no hay nada que hacer, que ya está de nuevo en el patio, que la tarjeta postal sigue clavada para siempre al borde del espejo del tiempo, pintada a mano con su franja de palomitas, con su leve borde negro"
Julio Cortázar
"Un tal Lucas"-Patiotismo
jueves 4 de diciembre de 2008
ERA LINDO MATEAR EN EL PATIO

"De Lanús casi no me acuerdo, se me borra todo. Un vestido a cuadritos, sí, ahora veo, y el zaguán de Don Furcio, y también las mateadas. Cómo me tenían en esa casa, los pibes se juntaban a mirarme por la reja, y ella siempre pegando algún recorte de Crítica o de Última Hora en el álbum que había empezado, o me mostraba las fotos del Gráfico. ¿Vos nunca te viste en foto? Te hace impresión la primera vez, vos pensás pero ése soy yo, con esa cara. Después te das cuenta que la foto es linda, casi siempre sos vos que estás fajando, o al final con el brazo levantado. Yo venía con mi Graham Paige, imaginate, me empilchaba para ir a verla, y el barrio se alborotaba. Era lindo matear en el patio, y todos me preguntaban qué sé yo cuánta cosa. Yo a veces no podía creer que era cierto, de noche antes de dormirme me decía que estaba soñando. Cuando le compré el terreno a la vieja, qué barullo que hacían todos. El trompa era el único que se quedaba tranquilo. "Hacés bien, pibe", decía, y dale al tabaco."
Julio Cortázar
Torito
jueves 27 de noviembre de 2008
MATE BORGEANO
“He tomado mucho mate cuando era joven. Tomar mate, para mi, era la forma de sentirme criollo viejo. Me lo cebaba yo mismo y creo que lo hacía muy mal porque siempre había flotando unos palitos sospechosos. Tenía dos mates, uno común, y otro de los que se llaman galleta. Y ahora, caramba, he perdido el hábito. "
"En el Cairo uno entra en una tienda y le ofrecen, inmediatamente, café, vino, frutas... Luego le dicen: 'Bienvenido a Egipto'. Después cuando uno pregunta el precio de algo, con toda cortesía le advierten. '¡No, señor! ¡Es un regalo!' Pero se sobreentiende que esto es una convención y que no es un regalo que se deba aceptar. En seguida viene el regateo, que puede durar media hora o tres cuartos de hora. Uno ofrece cinco y ellos piden veinticinco y todo eso para que, finalmente, el precio quede en diez. Y es una maravilla porque si uno no compra nada, igual son muy corteses. "
"Ellos no han descubierto el mate, pero igual han encontrado una manera, casi más simpática, de perder el tiempo. "
Fragmento extraído del libro "Borges, sus días y su tiempo" de María E.Vázquez. ©1984 Javier Vergara Editor
lunes 17 de noviembre de 2008
Los Gauchos
Mestizos de la sangre del hombre blanco, lo tuvieron en poco, mestizos de la sangre del hombre rojo, fueron sus enemigos.
Muchos no habrán oído jamás la palabra gaucho, o la habrán oído como una injuria.
Aprendieron los caminos de las estrellas, los hábitos del aire y del pájaro, las profecías de las nubes del Sur y de la luna con un cerco.
Fueron pastores de la hacienda brava, firmes en el caballo del desierto que habían domado esa mañana, enlazadores, marcadores, troperos, capataces, hombres de la partida policial, alguna vez matreros; alguno, el escuchado, fue el payador.
Cantaba sin premura, porque el alba tarda en clarear, y no alzaba la voz.
Había peones tigreros; amparado en el poncho el brazo izquierdo, el derecho sumía el cuchillo en el vientre del animal, abalanzado y alto.
El diálogo pausado, el mate y el naipe fueron las formas de su tiempo.
A diferencia de otros campesinos, eran capaces de ironía.
Eran sufridos, castos y pobres. La hospitalidad fue su fiesta.
Alguna noche los perdió el pendenciero alcohol de los sábados.
Morían y mataban con inocencia.
No eran devotos, fuera de alguna oscura superstición, pero la dura vida les enseño el culto del coraje.
Hombres de la ciudad les fabricaron un dialecto y una poesía de metáforas rústicas.
Ciertamente no fueron aventureros, pero un arreo los llevaba muy lejos y más lejos las guerras.
No dieron a la historia un sólo caudillo. Fueron hombres de López, de Ramírez, de Artigas, de Quiroga, de Bustos, de Pedro Campbell, de Rosas, de Urquiza, de aquel Ricardo López Jordán que hizo matar a Urquiza, de Peñaloza y de Saravia.
No murieron por esa cosa abstracta, la patria, sino por un patrón casual, una ira o por la invitación de un peligro.
Su ceniza está perdida en remotas regiones del continente, en repúblicas de cuya historia nada supieron, en campos de batalla, hoy famosos.
Hilario Ascasubi los vio cantando y combatiendo.
Vivieron su destino como en un sueño, sin saber quienes eran o qué eran.
Tal vez lo mismo nos ocurre a nosotros.
sábado 15 de noviembre de 2008
MATE EN UNA FONDA
"Quienes han comentado, y son muchos, la historia de Tadeo Isidoro, destacan el influjo de la llanura sobre su formación, pero gauchos idénticos a él nacieron y murieron en las selváticas riberas del Paraná y en las cuchillas orientales. Vivió, eso sí, en un mundo de barbarie monótona. Cuando, en 1874, murió de una viruela negra, no había visto jamás una montaña ni un pico de gas ni un molino. Tampoco una ciudad. En 1849, fue a Buenos Aires con una tropa del establecimiento de Francisco Xavier Acevedo; los troperos entraron en la ciudad para vaciar el cinto: Cruz, receloso, no salió de una fonda en el vecindario de los corrales. Pasó ahí muchos días, taciturno, durmiendo en la tierra, mateando, levantándose al alba y recogiéndose a la oración. Comprendió (más allá de las palabras y aun del entendimiento) que nada tenía que ver con él la ciudad."
Jorge Luis Borges
Biografía de Tadeo Isidoro Cruz
El cuento se puede leer en:
http://www4.loscuentos.net/cuentos/other/3/10/97/
viernes 14 de noviembre de 2008
MATE EN LA ESQUINA ROSADA

"El hombre a nuestros pies se moría. Yo pensé que no le había temblado el pulso al que lo arregló. El hombre, sin embargo, era duro. Cuando golpeó,
Para morir no se precisa más que estar vivo dijo una del montón, y otra, pensativa también:
Tanta soberbia el hombre, y no sirve más que pa juntar moscas".
Jorge Luis Borges.
Hombre de la esquina rosada
"Figari, pinta la memoria argentina. Digo argentina y esa designación no es un olvido anexionista del Uruguay, sino una irreprochable mención del Río de la Plata que, a diferencia del metafórico de la muerte, conoce dos orillas: tan argentina la una como la otra, tan preferidas por mi esperanza las dos".
JLB
domingo 9 de noviembre de 2008
MI VIEJO MATE GALLETA
Mi viejo mate galleta,
que pena me dio perderte,
que mano troncho tu suerte.
Tal vez la mano del tiempo,
si hasta crei que eras eterno,
nunca imaginé tu muerte.
En tu pancita verdosa
cuantos paisajes miré,
cuantos versos hilvané
mientras gozaba tu amargo.
Cuantas veces te hice largo
y vos sabías porque.
Cuando la yerba escasiaba
por falta de patacones
nunca pediste razones,
pero me diste consejos:
chupa pero hacete viejo
sin llegar a los talones.
Y en esos negros inviernos
cuando la escarcha blanquiaba,
tu cuerpito calentaba
mis manos con su calor,
pa' que el amigo cantor
se prendiera la guitarra.
Y ai' nomas se hacia la farra,
vos y yo en un mano a mano,
Mate y guitarra en el claro,
mate y guitarra en la sombra,
en leguas a la redonda
no hubo jaguel orejano.
Ah! Compañero y hermano,
que destino más sotreta,
nunca le di a la limeta,
en vos encontré la calma,
en este adiós pongo el alma,
mi viejo mate galleta.
José Larralde
argentino
miércoles 5 de noviembre de 2008
MATE ,"VICIO DIABÓLICO"

….El consumo de yerba mate cobra tal significación y es tan poco europeo que en 1610, recién llegados los jesuitas al Paraguay, su uso es denunciado por el Provincial Diego de Torres al Tribunal del Santo Oficio de Lima, diciendo que “parece vicio de poca consideración”, pero en realidad “es una superstición diabólica que acarrea muchos daños”. Torres indirectamente nos señala la profundidad de estos lazos culturales y apunta implicancias en el plano ideológico que claramente van más allá del simple consumo de la infusión verde. Así nos indica la imposibilidad de abandonar su consumo. “ Casi todos los que usan deste vicio, dicen en confesión y fuera de ella que ven que es vicio pero que ellos verdaderamente no se pueden enmendar” y , aún más como la gente llega al extremo de preferir el consumo del mate a asistir a misa, concluyendo con “el escándalo con que los españoles y sacerdotes dan con este vicio(la yerba mate).solo digo que ellos y los indios se hacen holgazanes y perezosos y van los venidos de España y los criollos y criollas, perdiendo, no sólo el uso de la razón, pero el estima y el aprecio de las cosas de la fée y temen tan poco el morir muchos como si no la tuvieran, y de que tienen poca, tengo yo muy grandes argumentos”. Esta denuncia no impedirá a los jesuitas del Paraguay, especializarse en su producción y comercialización cuando tomen conciencia de que la yerba mate es además de “práctica diabólica”, la principal moneda de la tierra y, por lo tanto, su principal riqueza.
Antonio Lezama
Ensayo sobre el origen de la idiosincrasia rioplatense.
Capítulo 3, página 52
martes 4 de noviembre de 2008
EL AUTOR DEL HIMNO NACIONAL URUGUAYO

Nacido en Montevideo el 3 de septiembre de 1791 y fallecido en la misma ciudad el 6 de octubre de 1862. Es hijo del Tesorero de
Pese a ser el autor de la letra de los himnos nacionales de Uruguay y Paraguay, no se adhiere a la causa independentista, sino que se mantiene leal a los gobiernos coloniales de Elío y Vigodet, y al caer Montevideo en 1814, con unos 25 años de edad, se exiliara a
Retorna a Montevideo en 1818, después de la caída de José Artigas, al quedar la ciudad bajo el dominio portugués, y ya pemanece allí. Además de su labor literaria, ocupa los cargos de Tesorero del Estado (sucede a su padre), miembro de
ADIVINANZA
Con esférica figura,
de fuerte y lisa corteza,
del corvo rabo prendido,
nací arrastrado entre yerba.
Mi rubio color, a veces,
con obscuro tinte alteran,
y formando una boca
tripas y entrañas me llevan.
Con otras de amargo gusto
mi cóncavo vientre llenan
y, para gozar su quilo,
con agua hirviendo me queman.
Francisco Acuña de Figueroa
viernes 24 de octubre de 2008
J. Simões Lopes Neto
O maior escritor regionalista do Rio Grande do Sul, nasceu em Pelotas, em 9 de março de 1865, na Estância da Graça, a 29 quilômetros da cidade e de propriedade de seu avô paterno, João Simões Lopes Filho
J. Simões Lopes Neto publicou três livros em vida, todos lançados em Pelotas, pela Livraria Universal: Cancioneiro Guasca (1910), Contos Gauchescos (1912), Lendas do Sul (1913). A julgar, porém, pelos sonhos literários que acalentou, sua bibliografia era para ter sido bem mais volumosa. Ele próprio chegou a anunciar, por intermédio de seu editor, a existência de nada menos de seis outros livros, dois "a sair" (Casos do Romualdo e Terra Gaúcha) e quatro "inéditos" (Peona e Dona, Jango Jorge, Prata do TaióPalavras Viajantes).
Embora as expressões "a sair" e "inéditos" estejam a indicar que todos os livros já existiam, em originais, é fora de dúvida que apenas um - Casos do Romualdo - chegaria a aparecer em vida do autor, ainda assim na forma de folhetim, e, em livro, apenas em 1952. Passados quarenta e dois anos da morte do escritor, apareceria o primeiro volume de Terra Gaúcha (os originais do segundo volume foram extraviados). Temos assim que, dos seis títulos dados naquela ocasião, como "a sair" e "inéditos", somente Casos do Romualdo havia sido escrito, nenhum outro existindo na condição de obra pronta e acabada para ser composta e impressa ou para entrar efetivamente no prelo. Quantos aos demais, foi profudamente lamentável que não tivessem passado de projetos irrealizados, malogro esse que cresce de vulto em relação a Peona e Dona e a Jango Jorge, sonhados ambos nos moldes apaixonantes de romances regionalistas. Um caso... não do Romualdo, mas do próprio Capitão João Simões. Bastava ter continuado a dar trela a Blau Nunes, o vaqueano. Não lhe faltaria gênio criador. Nem estilo. O de sua marca e sinal daria soberanamente. E com fartura.
Morreu em 14 de junho de 1916, em Pelotas, aos cinqüenta e um anos, de uma úlcera perfurada. Para arrecadar algum dinheiro, Dona Velha fez um leilão de toda a documentação do marido, mas ninguém se interessou. Então toda a obra do escritor se dispersou entre colecionadores, bibliotecas e museus.
Atualmente, J. Simões Lopes Neto e sua prosa ultrapassam os limites territoriais .
http://pelotas.ufpel.edu.br/
MATE AMARGO, MUITO SÉRIO
…...........Já os peões apertam sobre a mangueira. Eu bato as palmas e corro, entusiasmado, para ajudar.
A recolhida vai entrar; nisto os dois machos volvem a cabeça para o campo, trocando a orelha, farejando alto.
- Vão disparar! Ataca!...
Não vê!... Um dos campeiros já está de laço armado, outro balanceia as boleadeiras, pronto para o repente...
- Orah! Orah! Orah!...
E entrou na encerra a soberba animalada.
Correm-se as varas da porteira; serena o tropel; os animais companheiros procuram-se; todos estavam molhados até os encontros; uns sacodem-se com violencia ou cheiram o chão, refolhando, e rebocam-se na terra revolvida e fresca; cruzam-se relinchos, coices, dentadas. Quase todas as cabeças, espantadas e curiosas, estão voltadas para a porteira; e na respiração ofegante e forte as ventas expelem rolos de vapor, do bafo; parece que os animais pitaram e estão atirando a fumaça dos cigarros!
O capataz, que tem se aproximado dá as suas ordens à peonada, que retira-se.
E voltando para mim:
- Eh! amigo! Tens muito serviço de campo, agora?
Não sei porque, mas no meio do meu contentamento - foi como um corisco! - de repente lembrei-me do colégio, do Mestrinho, da festa das bandeiras... E suspirei.
- Ah! seu Juca! disse. Que bom que eu fosse peão da estância... campeiro, domador!... Só assim não iria mais para o colégio... Não é?
O velho capataz deu dois últimos chupões à bomba, com esta revirou a erva na cuia e, vagarosamente, enquanto cevava um outro amargo, respondeu-me baixinho, porém muito sério:
- Amiguito! Não diga barbaridades!...
J. Simões Lopes Neto - (Do livro escolar "Terra Gaúcha", no prelo)
Fonte:
MOREIRA, Ângelo Pires. A outra face de J. Simões Lopes Neto : 1. volume. Porto Alegre : Martins Livreiro, 1983. 192p.
jueves 23 de octubre de 2008
Um clássico.
— A la fresca!... que demorou a tal fritada! Vancê reparou?
Quando nos apeamos era a pino do meio-dia... e são três horas, largas!... Cá pra mim esta gente esperou que as franguinhas se pusessem galinhas e depois botassem, para depois apanharem os ovos e só então bater esta fritada encantada, que vai nos atrasar a troteada, obra de duas léguas... de beiço!...
Isto até faz-me lembrar um caso.. . Vancê nunca ouviu falar do João Cardoso?... Não?... É pena.
O João Cardoso era um sujeito que vivia por aqueles meios do Passo da Maria Gomes; bom velho, muito estimado, mas chalrador como trinta e que dava um dente por dois dedos de prosa, e mui amigo de novidades.
Também... naquele tempo não havia jornais, e o que se ouvia e se contava ia de boca em boca, de ouvido para ouvido. Eu, o primeiro jornal que vi na minha vida foi em Pelotas mesmo, aí por 1851.
Pois, como dizia: não passava andante pela porta ou mais longe ou mais distante, que o velho João Cardoso não chamasse, risonho, e renitente como mosca de ramada; e aí no mais já enxotava a cachorrada, e puxando o pito de detrás da orelha, pigarreava e dizia:
— Olá! Amigo! apeie-se; descanse um pouco! Venha tomar um amargo! É um instantinho.... crioulo?!...
O andante, agradecido à sorte, aceitava... menos algum ressabiado, já se vê.
— Então que há de novo? (E para dentro de casa, com uma voz de trovão, ordenava:) Oh! crioulo! Traz mate!
E já se botava na conversa, falava, indagava, pedia as novas, dava as que sabia; ria-se, metia opiniões, aprovava umas cousas, ficava buzina com outras...
E o tempo ia passando. O andante olhava para o cavalo, que já tinha refrescado; olhava para o sol que subia ou descambava... e mexia o corpo para levantar-se.
— Bueno! são horas, seu João Cardoso; vou marchando!...
— Espere, homem! Só um instantinho! Oh! crioulo, olha esse mate!
E retomava a chalra. Nisto o crioulo já calejado e sabido, chegava-se-lhe manhoso e cochichava-lhe no ouvido:
— Sr., não tem mais erva!...
— Traz dessa mesma! Não demores, crioulo!...
E o tempo ia correndo, como água de sanga cheia.
Outra vez o andante se aprumava:
— Seu João Cardoso, vou-me tocando... Passe bem!
— Espera, homem de Deus! É enquanto a galinha lambe a orelha!... Oh! crioulo!... olha esse mate, diabo!
E outra vez o negro, no ouvido dele:
— Mas, sr!... não tem mais erva!
— Traz dessa mesma, bandalho!
E o carvão sumia-se largando sobre o paisano uma riscada do branco dos olhos, como encarnicando...
Por fim o andante não agüentava mais e parava patrulha:
— Passe bem, seu João Cardoso! Agora vou mesmo. Até a vista!
— Ora, patrício, espere! Oh crioulo, olha o mate!
— Não! não mande vir, obrigado! Pra volta!
— Pois sim..., porém dói-me que você se vá sem querer tomar um amargo neste rancho. É um instantinho... oh! crioulo!
Porém o outro já dava de rédea, resolvido à retirada.
E o velho João Cardoso acompanhava-o até a beira da estrada e ainda teimava:
— Quando passar, apeie-se! O chimarrão, aqui, nunca se corta, está sempre pronto! Boa viagem! Se quer esperar... olhe que é um instantinho... Oh! crioulo!...
Mas o embuçalado já tocava a trote largo.
Os mates do João Cardoso criaram fama... A gente daquele tempo, até, quando queria dizer que uma cousa era tardia, demorada, maçante, embrulhona, dizia — está como o mate do João Cardoso!
A verdade é que em muita casa e por muitos motivos, ainda às vezes parece-me escutar o João Cardoso, velho de guerra, repetir ao seu crioulo:
— Traz dessa mesma, diabo, que aqui o sr. tem pressa!...
— Vancê já não tem topado disso?...
ESCRITOR E JORNALISTA
Josué Guimarães (RS, 1921-1986) é considerado um dos grandes escritores brasileiros do século XX, tendo deixado uma obra fundamental como romancista, jornalista e autor de histórias infantis e infanto-juvenis. Josué Marques Guimarães nasceu
Josué Guimarães lançou-se tardiamente – aos 49 anos – no ofício que o consagraria como um dos maiores escritores do país. Seu primeiro livro foi Os Ladrões, reunindo contos, entre os quais o conto que dá nome ao livro, premiado no então importante Concurso de Contos do Paraná). Sua obra – escrita em pouco menos de 20 anos – destaca-se como um acervo importante e fundamental. Democrata e humanista ferrenho, Josué Guimarães foi sistematicamente perseguido pela ditadura e os poderosos de plantão, mantendo uma admirável coerência que acabou por alijá-lo do meio cultural oficial. Depois de Erico Verissimo é, sem dúvida, o escritor mais importante da história recente do Rio Grande e um dos mais influentes e importantes do país. A ferro e fogo I (Tempo de Solidão) e A ferro e fogo II (Tempo de Guerra) – deixou o terceiro e último volume (Tempo de Angústia) inconcluso – são romances clássicos da literatura brasileira e sua obra-prima, as únicas obras de ficção realmente importantes que abordam a saga da colonização alemã no Brasil.. Dentro da vertente do romance histórico, Josué voltaria ao tema em Camilo Mortágua, fazendo um verdadeiro corte na sociedade gaúcha pós-rural, inaugurando uma trilha que mais tarde seria seguida por outros bons autores. Seu livro Dona Anja foi traduzido para o espanhol e publicado pela Edivisión Editoriales, México, sob o título de Doña Angela.
Jousé Guimarães morreu no dia 23 de março de 1986.
domingo 19 de octubre de 2008
Mate rio-grandense.
- Tem menos de um quilo.
- Economizando bem a gente ainda tem erva para duas semanas.
A velhinha retornou ao crochê de lã preta que desenrolava de um grande novelo, engaiolado numa cesta de largas tiras de vime, e que resultara no desfazimento de um velho pulôver. No início do verão ela transformava o pulôver em novelo de lá, e mal o outono chegava a meio, as suas mãos lentas recomeçavam a tecer com paciência. Então ela disse:
- Pena que a gente não possa fazer com a erva o que se faz com a lã.
- Se pode – disse ele sem olhar para a mulher. – O meu falecido pai, na Revolução de 93, junto com mais três companheiros, tomou mate durante um mês inteiro só com um quilo de erva. Depois do chimarrão a erva era colocada num papel e ficava exposta ao sol até ficar bem sequinha. No dia seguinte bastava misturar nela um pouco de erva nova para que o mate corresse a roda.
- Um mês com um quilo de erva! – exclamou a velhinha, incrédula.
- E mais duraria se o inimigo não encontrasse os três no esconderijo e não tivesse passado pelas armas os dois amigos do meu pai. Só pouparam o velho, porque um dos irmãos dele era capitão dos maragatos, portanto merecia misericórdia.
- Já ouvi esta história tantas vezes que até sei tudo de cor.
O velho fez um sinal de enfado. Ela vivia dizendo que conhecia todas as suas histórias. Repetiu a frase de sempre:
- Pudera. A gente está casado há mais de sessenta e oito anos.
- Como se eu não soubesse – disse ela, sempre tricotando. – Dia 10 de março de 1910. Santana do Livramento. Com festa do lado uruguaio, em Rivera...
- Taquarembó – corrigiu ele.
- Isso: Taquarembó. Na chácara do falecido Dom Pepe de Aguilar y Aguilar, nosso padrinho de casamento.
- Que morreu no ano seguinte, de tiro.
- Coitado.
- Coitada é da Dona Mercedes que ficou com doze filhos para criar.
- Naquele tempo até que nem era difícil.
- Lá isso é verdade. Mas, sem querer mudar de assunto: a gente bem que podia tomar um chimarrão agora. Pelo jeito já são seis horas.
- Com a erva que a gente tem, acho melhor deixar o mate para quando o dia amanhecer.
Josué Guimarães, Enquanto a Noite não Chega, Capítulo 1.
jueves 9 de octubre de 2008
HUBIERA QUERIDO SER UN GAUCHO
"Hubiera querido ser un gaucho y no un hombre de la ciudad. Tengo en mis venas sangre criolla. Soy autóctono puro. «Martín Fierro» y «Fausto» fueron los primeros libros que leí. Los llevaba en el recado, o en el cinto si es que montaba en pelo. A los catorce años escribía versos. Versos o lo que fueran. Luego, ya hombre, concurría a las estancias atraído por el espectáculo de los trabajos de campo. Allí me sentía en mi medio”
Fernan Silva Valdés
imagen: http://letras-uruguay.espaciolatino.com/silva/cartas.htm
viernes 3 de octubre de 2008
MATE,COMO PÁJARO GUACHO

No sé qué tiene de rudo;
no sé qué tiene de áspero,
no sé qué tiene de macho,
el mate amargo.
El sirve para todo;
para lo bueno, para lo malo;
él lava los dolores del pecho a cada trago;
es un cúralo todo en la casa del gaucho;
alegra la alegría y destiñe la pena,
el mate amargo.
Él es contemporáneo de la bota de potro,
y de las nazarenas, y de la guitarra;
pero de la guitarra que usa cintas
-como las chinas-
cintas celestes o coloradas.
En el campo
no hay boca masculina que rehuse besarlo
ni manos callosas que no le hagan un hueco
al mate amargo.
¡Cómo me siento suyo; cómo lo siento mío,
al mate amargo!
Yo lo llevo disuelto en la sangre
como un jugo americano.
No sé qué tiene de símbolo
el mate amargo;
por el pico plateado de la bombilla
canta de madrugada como un pájaro guacho.
Fernán Silva Valdés
miércoles 1 de octubre de 2008
CREADOR DE LA NOVELA NACIONAL
“Así, para todos los criollos capaces de empuñar las armas, en el período histórico de que hablamos, en la personalidad de José Artigas de suya dominante, estaba la garantía del éxito; y, aún cuando bajo la presión dura e inflexible del viejo régimen hubiesen halagado ilusiones ardientes hacia el cambio de cosas, su persuasión era la de que sin un hombre de esas aptitudes en el teatro, que él solo podía entonces animar y transformar con su iniciativa de archi-caudillo, habría sido difícil la conmoción y el alzamiento de las campañas.”
Eduardo Acevedo Díaz
escritor, periodista y político
http://es.wikisource.org/wiki/Ismael_:_49
lunes 22 de septiembre de 2008
EL MATE DE FELISA A ISMAEL
"Una vez se encontró con Ismael que salía de la cocina, y lo miró con enojo, pasando a su lado sin darle los buenos días. Él tampoco la miró, ni la habló; puso el pie en el estribo, saltó sobre su bayo, y fuese paso a paso hacia el campo, tarareando un «pericón».
Estos casos se sucedían con frecuencia.
En otra oportunidad, Felisa le arrancó de las manos la vasija de barro que él le había tomado para sacarle el agua del barril; y lo hizo con mal modo y peor ceño.
Velarde se alejó callado, arreglándose el chiripá por detrás, y chiflando con su aire de costumbre algún «triste» monótono.
Días después, lo vio recostado en la pared del rancho, todo mojado por la lluvia, con la vista en el suelo y el poncho colgándole del hombro hasta tocar la tierra hecha fango. Alargó el brazo por la ventanilla, y le alcanzó un mate, dejando ver tan solo la mitad del rostro. Ismael lo tomó, saboreolo hasta hacer sonar la «bombilla» y lo devolvió a su dueña sin decir palabra.
A poco, se fue despacio, hundiendo las espuelas en el barro; y cuando se hubo apartado bastante, bajose más sobre los ojos el ala del sombrero y se volvió de lado para mirar arisco. La criolla se puso a reír, y movió la cabeza de arriba abajo con aire burlón."
Ismael
Eduardo Acevedo Díaz
domingo 31 de agosto de 2008
MATE PATRIÓTICO

"ISMAEL dejó la guitarra y empezó a descalzarse con pereza las espuelas.
Había cerrado la noche. Seguía cayendo un agua mansa en menudas gotas y soplaba de nuevo el viento frío.
Velarde cubriose con el poncho, y se acostó en su recado boca abajo, sin quitarse las ropas.
Pasados algunos minutos en esa posición de inmovilidad completa, recorriole todo el cuerpo un temblor convulsivo. Después murmuró palabras confusas, puso la cara de lado y no volvió a agitarse más. Cerca de veinticinco leguas de jornada, al paso de trote, en la columna de Manuel Francisco Artigas, habían aplomado su cuerpo, y no tardó en rendirlo al sueño la fatiga.
Su descanso sin embargo fue corto.
Antes del alba se levantó y fuese a la cocina, hizo fuego, cebose él mismo el mate y asó un poco de charque de un trozo que pendía del techo, expuesto al humo hacía tiempo.
Cuando acabó su sobria merienda, asomaba un día sin nubes".
Eduardo Acevedo Díaz.
"Ismael"-cap.47
imagen: Batalla de Las Piedras
En el cuadro pintado por Blanes e hijo, Manuel Francisco Artigas, aparece a la izquierda de Artigas. En el artículo titulado “Las milicias de la patria vieja” el coronel de artillería Ángel Corrales Elhordoy escribe: “los artistas [Juan Manuel Blanes y su hijo Juan Luis] para representarlo utilizaron, sin duda, la miniatura de Manuel Antonio Artigas que conservaba la familia Ferreira-Artigas.
http://es.wikipedia.org/wiki/Manuel_Francisco_Artigas
viernes 22 de agosto de 2008
YO ME CRIÉ EN LA ESTANCIA

"Mi padre como mi abuelo era estanciero y yo me crié en la estancia, aprendiendo a andar a caballo al muy poco tiempo de haber aprendido a caminar. En aquel medio agreste, teniendo por educadores al capataz y a los peones gauchos que me divulgaron todos los secretos de la religión patriótica, aprendí a conocer las maravillas de la naturaleza, a soportar las inclemencias y a agradecer sus favores"
Javier de Viana
uruguayo -1868-1926
leer más en Http://letras-uruguay.espacio latino.com/viana javier/bio.htm
viernes 1 de agosto de 2008
MATE AMARGO,TRUCO Y CAÑA

"Concluída la faena, hubo fiestas: pasteles, tortas fritas, asado con cuero y vino a discreción. Por la noche se jugó al truco, hasta muy tarde.Y doña Paula, mujer ya entrada en años, y que en sus mocedades había gozado de alegre y amiga de empinar el codo, acarreaba el mate amargo desde la cocina, e iba, de a rato en rato, a llenar en la despensa la botella de caña que los jugadores vaciaban con rapidez increíble. Como la despensa-una troja-estaba a oscuras, doña Paula llenaba demasiado la botella, y por no llevarla chorreando, apuraba unos tragos en cada ocasión. No andaría muy bien cuando Don Ciriaco, al recibir la calabaza, le dijo, con entonación, entre reprensiva y cariñosa:
-Su mate está lavao,bieja.
-¿Y d'iai?-contestó ella, lanzando un regüello de caña. ¿Cómo quiere que esté güeno si hace dos horas que estoy trajinando de acá payá y ya se han tomado una sinfinidad de cafeteras de agua? Si no tienen la tripas verdes...
-Güeno,bieja, no se enoje: vaya a trair otra boteya de caña y no sebe más mate.
"Tero Tero" -(fragmento)
Javier de Viana
uruguayo
(Canelones, 1868-1926)
Leer más en http://es.wikisource.org/wiki/Tero-Tero
Mate ,peones y galpón
-Pues...el novillo ese dentra puel portillo del bañao.-Yo le dije al patrón, que allí estaba caído...pa mi que es el Patricio que lo voltea pa dir a visitar a la china Nicolasa...¿Vos no hayas qu´es fiera la china Nicolasa?
-Como asau de paleta...¿Vamo arrimando pal portón? Ya no se ve ni la boca del mate.
-Arrimemo.
-Ta medio lavadita.
-Dale guelta.
-Es al nudo, esta yerba es flojaza. Casi noche.
........................................
Desde la cocina, un olor a asado llegaba hasta el galpón. Y en tanto la luz se iba zambullendo en la laguna del poniente.
"Puesta de sol" -fragmento-
Javier de Viana
leer más en http://es.wikisource.org/wiki/Puesta de sol
jueves 31 de julio de 2008
Un matero de Treinta y Tres

"Yo soy un escritor que escribo en función de hombre y no de literato. Por lo que el hombre me duele dentro y por lo que de él espero y creo, procedo de tal modo. Me expreso así por un imperativo natural, como otros se expresan abriendo un surco en la tierra o un rumbo en el océano. Y no podría cambiar, aunque quisiera, pues no se modifica lo entrañable.-Serafín José García
(1905-1985)
Uno de los mayores poetas populares reconocidos, autodidacta, publicó entre muchos otros títulos,
"Las aventuras de Juan el Zorro"y "Tacuruses"
Leer más en http://www.rodelu.net/perfil37.htm
martes 29 de abril de 2008
Un cimarrón pa'calentar las tripas

"Llegó a la estancia una madrugada de julio, envuelto entre los flecos de la cerrazón, que parecían empeñados en zurcir los "cuaternos" de su poncho. Montaba un tubiano "matao", cuyos huesos pugnaban por romper la piel costrosa, y sobre cuyo esquelético lomo no se veía más garra que un cuero pelado de sarna, sucio y maloliente. Jinete y cabalgadura formaban un binomio pobre, ridículo e insignificante que ni siquiera los perros se dignaron ladrales. Apenas si algún cachorro curioso levantó la cabeza para vicharlos, y luego indiferente, reanudó el interrumpido sueño.
Los peones que"yerbeaban" en la cocina, esperando la hora de "agachar el lomo", lo recibieron con "un cimarrón pa calentar las tripas" y "una cabesa'vaca p'abancarse"
Mientras Nicomedes sorbía el mate en silencio, temblando todavía a consecuencia del chucho cogido en el camino, los otros lo examinaban con extrañeza su figura grotesca, su cara de luna de llena, sus párpados "bolsudos", su acotorrada nariz y su bigotillo incipiente en que temblaban abundantes hilachas de neblina.
-Qué animal de pelo extraño!-se decían, conteniendo apenas la risa.
Cuando el capataz entró a ordenar la faena del día, Nicomedes "desembuchó".
Quería trabajar en la estancia. Cualquier paga le serviría. Era pobre y andaba muy "quebrao"
Serafín J. García
Fragmento del cuento "Maturrano" .
"Barro y sol" Cuentos-Editado en1941
links:
http://letras- uruguay.espaciolatino.com/serafin/maturrango.htm
imagen: obra de Mario Giacoya, uruguayo, contemporáneo
lunes 3 de marzo de 2008
SÉ EMPEZAR EL MATE SIN QUEMAR LA YERBA

"Me crié en una estancia y viví después largos años en ella; soy un buen jinete y muchas tardes estivales de mis vacaciones de estudiante las pasé ejercitándome en el manejo del lazo y, alguna vez, las boleadoras, puedo hablar el más dialectal de los gauchescos, he tropeado por tierra y por ferrocarril, sé picar tabaco, sé empezar el mate sin quemar la yerba...pero no soy ni quiero ser-mejor no quiero ser- un escritor criollista. La materia de mis cuentos puede ser criolla pero el producto elaborado no es literatura criollista, tal lo creo, sino literatura a secas, buena, o regular o mala literatura sin apellido"
Mario Arregui
(uruguayo1917-1985)
Prólogo a La escoba de la bruja, Montevideo, Acali, 1979





